Veio visitar Bragança? Antecipe seu saque, falta dinheiro nos caixas eletrônicos.

Não existe alma viva em Bragança que não tenha enfrentado problemas para levantar dinheiro, seja por motivo de manutenção, mal funcionamento, filas gigantes, ou, o que é pior, ausência de dinheiro nos caixas eletrônicos do Banco do Brasil.
Esta semana uma campanha nas ruas chamou atenção de quem visita Bragança para a necessidade de trazer dinheiro porque cédula sempre falta nos poucos caixas eletrônicos do Município, principalmente, nos momentos de maior movimentação, entre os quais, carnaval, e marujada.
Os outdoors foram afixados logo na entrada do Município, próximo ao estádio Diogão, e na Nazeazeno Ferreira, principal avenida da cidade, sem nenhuma assinatura, e sem citar nenhuma instituição, mas há referências subliminares ao BB.
A campanha não ataca ninguém, mas alguém do Poder Público Municipal viu nela uma mancha ao Município, e sob esta visão, mandou remover os outdoors, com apoio de efetivos da Guarda Municipal e do Demutran.
Foi um espetáculo fascista, com as forças da repressão dando cobertura a um atentado contra o direito à livre manifestação do pensamento crítico.
Ao mesmo tempo ,um crime contra o patrimônio público e a propriedade, já que estas empresas de outdoors são privadas, e atuam no Município, mediante concessões públicas, sendo elas as responsáveis pelos espaços concedidos, e que foram vandalizados pelo Pode Público de forma arbitrária.
Não bastasse isso, ficaram no chão os restos arrancados dos outdoors, o que se  constitui um crime ambiental cometido pelos agentes do Poder Público, contra o próprio Município.
Podemos discutir as modalidades de campanhas de marketing e publicidades, fazer um seminário, definir políticas públicas, construir críticas a estes modelos que vendem ilusões com o dinheiro público.
A sociedade tem de ter instrumentos de observação e de crítica, e ninguém, nem mesmo o Poder Público, pode se dar a este direito de passar por cima da própria Constituição e da Lei Orgânica do Município.
Quero saber o que vão dizer os vereadores e jornalistas e radialistas, os médicos, professores, e demais profissionais que aqui moram e aqui atuam, se eles vão se importar com isso, se estão interessados em fazer um debate sobre direitos ou se vão se calar diante deste ato opressivo contra a democracia.
Porque, sinceramente, ainda que neste outdoor tivesse escrito alguma coisa que eu não concordasse, eu também não concordaria que o mesmo fosse vandalizado e destruído nem pelo Poder Público nem por qualquer outro cidadão.
Ou estamos em um estado de direito(S) ou estamos em um estado fascista, não há meio termo.
Cabe ao Ministério Público tomar as suas medidas.
De nossa parte, enquanto jornalistas, abominamos quaisquer tentativas de cercear o pensamento e á sua livre manifestação.
Repudiamos veementemente tais atitudes, as quais consideramos fascistas.
Precisamos discutir o processo de desmonte das instituições públicas brasileiras, entre estas o BB e as consequências diretas para um Município pobre que ainda está no G100 entre os mais pobres do Brasil e que não há olhos de políticos para o seu desenvolvimento sem que estes mesmos políticos se beneficiem.
Portanto, não ter dinheiro em caixa não é só um problema paroquial, mas não podemos ignorá-lo e muito menos reprimir as manifestações críticas a esta questão.
É inadmissível que em pleno Século XXI ainda assistamos a cenas como esta.
Estamos atentos.

Francisco Weyl

Bragança, 24 de Fevereiro de 2017
Diretor/Editor da TRIBUNA DO SALGADO.

                                                       Fonte © #TRIBUNADOSALGADO
Tecnologia do Blogger.