#POLÊMICAS “Cartas sobre políticas culturais vazam nas redes sociais de Bragança do Pará"

#TRIBUNADOSALGADO publica as duas longas cartas trocadas estas semana por dois agitadores e criadores, professores e ativistas, para que o leitor, atento e crítico, estabeleça os seus próprios parâmetros de análise e faça a sua própria consideração sobre a História e da Cultura do Município de Bragança.

A polêmica começou quando o diretor/editor da #TRIBUNADOSALGADO, jornalista Francisco Weyl, publicitou carta em redes sociais, endereçada ao professor Aurimar Araújo, que, apesar de ter imediatamente feito carta-resposta, não pontuou todas as demandas de Weyl, que, entretanto, deu por encerrado o assunto, fazendo, entretanto, uma consideração final, que segue:“Quando atacam um projeto cultural, eu me sinto atacado, qualquer projeto, todas as vezes que colocam em dúvida a utopia de um projeto ou de um produtor cultural, eu me sinto ameaçado, toda vez que tentam denegrir a imagem de um projeto cultural, eu me sinto denegrido, porque sou um fazedor cultural responsável com princípios éticos, jamais lucrativos, e não nos agrada ser confundido com pessoas interesseiras e egocêntricas que usam a cultura em benefício próprio, para uma promoção pessoal, e não para o bem comum de toda uma comunidade, eu e centenas de utopistas que sonham a vida em liberdade e poesia, e respeitamos os cidadãos e queremos a inclusão da juventude periférica nas política públicas sociais, todas as vezes que ameaçam a cultura, nós nos sentimos ameaçados, portanto, é com este sentimento que me movo no campo na cultura, não é pessoal, mas social, político, e, ainda, como jornalista, de sentimentos éticos, respeito as pessoas com as quais diálogo, dando as mesmas o direito de me responder da forma e quando desejam, sem apelos e/ou ataques pessoais, sem acusações, sem pressões e ameaças, respeitando necessariamente  a manifestação do outro, da outra parte, o direito do contraditório, sem nenhuma pretensão de ser qualquer tipo de paladino da justiça que tenta a todo o custo provar uma verdade, sabedor que sou de que as verdades são interpretações de fatos sujeitos às dinâmicas de um mundo real, cada vez mais manipulado pela Mídia, e pelo Judiciário”, concluiu Weyl, diretor do FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté, e presidente executivo da Academia de Letras do Brasil - ALB.


Fonte © #TRIBUNADOSALGADO

CARTA UM
CARTA ABERTA AO PRODUTOR CULTURAL E PROFESSOR AURIMAR ARAUJO
Prezado Aurimar, você me conhece, estivemos juntos em cenas políticas culturais, como conferências, saraus, shows, etc.
Antes de tudo, quero que saiba que meu interesse é de esclarecer as coisas, sem dar chance para interpretações errôneas e boatos sobre os fatos aqui abordados.
Assim sendo, escrevo-lhe na qualidade de jornalista, para esclarecer fatos que me deixaram interessados em encontrar respostas, na medida em que me intrigam e me tem sido pautados por diversas pessoas da cena cultural do Nordeste paraense.
Sempre respeitei o seu trabalho com jovens e crianças no campo da música, no âmbito do AMA.
Assim sendo, preocupou-me sobremaneira o que você publicitou, que o AMA se transfere para Tracuateua.
Ademais, o AMA foi contemplado com recursos provenientes de emendas parlamentares, destinadas, entre outras coisas, a construção e restauro do prédio onde a associação funciona, exatamente, para que crianças e jovens atendidas pelo projeto pudessem fazer os seus estudos e ensaios musicais.
Recordo que neste período as aulas passaram a acontecer na sede da Maçonaria.
Mas, qual não foi minha surpresa, quando observei, há alguns meses, postagens suas dando conta de que o AMA está se transferindo para Tracuateua, onde a mesma irá administrar um projeto ecológico sustentável.
E que na sede do AMA funcionará uma escola particular, com fins lucrativos, aproveitando-se da reforma feita com recursos públicos destinados aos projetos sociais do AMA.
E fiquei a me perguntar com quais direitos o Senhor fez esta transferência.
Esclareça, por favor, o AMA é Instituto ou Associação, ou as duas coisas, e, nesse caso, onde estão as indicações sobre as sedes dos mesmos, se em Bragança, em Tracuateua, ou outro(s) município(s)!?
Mesmo desconhecendo a formatação administrativa do AMA, quero, entretanto, questionar esta “transferência” de sede e lhe demandar se isso não fere os próprios estatutos da associação?
Queria saber s ocorreram reuniões e assembleias gerais deliberativas relacionadas a esta transferência de sede, do Instituto e/ou da Associação?
E ainda ,mais algumas perguntas, a titulo de esclarecimentos?
Qual o orçamento do AMA?
De onde se originam os recursos que os sustentam?
Quantos associados tem a entidade?
Qual a composição de sua direção?
Quais os projetos em andamento do AMA em Bragança neste momento?
Quanto o AMA recebe da escola privada que vai ocupar a sua “sede” ?
Há alguma coisa que eu não demandei e que seria conveniente esclarecer?
Qual a mensagem que o Senhor tem a dar aos seus colaboradores e ao público de Bragança com relação a estes episódios e considerações?
Muito Obrigado.
Francisco Weyl
Bragança, 22 de fevereiro de 2017


CARTA DOIS
A carta-resposta do professor AURIMAR ARAUJO

Francisco Weyl, desejo-te muitas felicidades e indeléveis votos de solidariedade e saúde, feitas em preces, à tua admirável companheira. Surpreendeu-me a “carta aberta” dirigida a mim em muitos grupos sociais, até porquê, como jornalista, deverias ter tido a postura de procurar diretamente a nossa instituição, a saber o Instituto AMA, para auditar ou solicitar quaisquer esclarecimentos sobre fatos referentes aos serviços sociais, culturais e educacionais que mantivemos ao longo de 14 anos, desde que meu pai, já falecido, e um grupo de pessoas de irrepreensível índole fundaram a entidade. Apesar de não ter a autonomia necessária para responder tuas colocações, visto que se faz necessário a consulta de um conselho e diretoria executiva da entidade, posso adiantar-te que todos os esforços feitos até hoje têm o fim filantrópico de levar conhecimento, cultura, e sobretudo, cidadania para o público a que atendemos. Ao longo da história desta instituição, falando por mim, como procurador geral da entidade, sempre fomos motivados em obedecer aos princípios jurídicos da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, entre outros, respeitando a Carta Magma e todas as demais leis infraconstitucionais, não menos importantes, que são responsáveis por normatizar, regulamentar e distribuir a justiça para as pessoas, sejam físicas ou jurídicas. O Instituto AMA é uma instituição de direito privado, sem fins econômicos, reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) pelo Ministério da Justiça, e, por lei, como de Utilidade Pública Municipal e Estadual, com inscrição em diversos conselhos. Sua sede jurídica está localizada em Bragança, e no passado, teve polos e atuação nos municípios adjacentes de Augusto Correa, Tracuateua e Viseu (neste último, funcionando em um imóvel, de minha propriedade). Foi fruto do trabalho que era desenvolvido por Mestre Ari das Rabecas (Aurimar Monteiro de Araújo), meu pai, hoje falecido, em torno do acolhimento sociocultural, educativo e assistencial de crianças e adolescentes, e, com a valorização da Rabeca, um dos principais bens culturais integrados à manifestação da Marujada de São Benedito de Bragança (PA), fundada em 1798, tombada como Patrimônio Cultural do Estado. O Instituto AMA desenvolveu e desenvolverá importantes ações, não apenas no campo da música como citado em sua carta, mas em diversas áreas e condições pertinentes para a sociedade, que até posso elucidar, mas neste espaço não convém por serem inúmeras, conforme legalmente registradas e enumeradas em nosso Estatuto Social. Quanto aos serviços prestados à sociedade eu teria muitas considerações a fazer, principalmente demonstrando números de todo o trabalho que já desenvolvemos, muitas vezes desconhecidos (Mateus 6:3 “Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita”), no entanto eu acredito que isso é irrelevante diante das “pertinentes” indagações feitas em tua postagem. O Instituto AMA, em sua grande maioria de ações, foi mantido com recursos financeiros particulares, e não públicos. Para te ser bem sincero, 70% de tudo o que foi gasto ao longo de anos no cumprimento de nossas ações foi doado por fundos próprios do meu pai (que criou ainda outros 32 filhos adotivos, muito pobres e que ele educou um a um dando uma formação superior). Até mesmo quando estava em estado terminal, acometido pela terrível Esclerose Lateral Amiotrófica, doava toda sua aposentadoria para a manutenção da entidade. Ele era assim, e sempre praticou o bem e a caridade, dedicando-se até seus últimos dias à pratica do evangelho espírita. E tenho Deus e todos os professores que trabalharam na entidade para comprovar que sempre doei todo o meu salário como servidor público para manter a entidade, isso durante muitos anos. Talvez não saibas, mas no início de nossa labuta para trazermos conhecimento musical para jovens tivemos muitas dificuldades, começamos primeiro em casa, depois no coreto da praça Antônio Pereira, em seguida no Barracão da Marujada, depois no Grêmio Nazeazeno Ferreira, a seguir a hoje arruinada Casa da Cultura, e finalmente, depois de uma longa batalha judicial a antiga sede do Círculo Operário, cujo terreno comprado em dois lotes pela minha família, que deu usufruto para as obras sociais da entidade, cuja sede inclusive foi construída pelo meu bisavô. Inclusive saiba que antes de morrer, meu pai e doadores estabeleceram no registro da propriedade, de forma irrevogável, que o patrimônio jamais poderá ser alienado ou vendido vitaliciamente, servido exclusivamente para obras sociais, e, ademais, dispuseram que no caso de dissolução do Instituto AMA, e diante da inviabilidade da execução de seus objetivos, liquidada todas as suas obrigações, seu patrimônio se destinará à mais antiga instituição espírita da cidade de Bragança (ligada à Federação Espírita Paraense) e/ou à Loja Maçônica Conciliação Bragantina. E isto é irrevogável e indiscutível. Desde junho de 2016, estamos com sérias dificuldades financeiras, quando paralisamos nossas ações sociais em nossa sede, até porquê, como disse, infelizmente não temos o apoio, patrocínio da iniciativa privada e muito menos de investimentos públicos. Quanto às emendas obtivemos três, distintas: a primeira para iluminação da igreja de são benedito, a segunda para a aquisição de equipamento e custeio de profissionais por 5 meses, e a última para a colocação de laje, construção de salas, troca de reboco, construção de banheiros e revitalização da fachada do prédio. Convém dizer que investi do próprio bolso, sem pensar em retorno futuro, em todo o resto necessário para a revitalização do prédio entregue em 2014. Além disso, ganhamos 3 prêmios que foram utilizados na aquisição de equipamentos. Conveniamos com o município no ano de 2007, por nove meses, salvo engano o valor total de parcos R$ 6.300,00 e no ano de 2013, 4 mil, em 10 parcelas mensais. Isso é toda a verba pública que obtivemos. Além disso, no final do mandato do prefeito Edson, obtivemos a cessão de 02 vigilantes para guardar o nosso patrimônio, que inclusive foram devolvidos em 05 de janeiro deste ano. Quando ao questionamento sobre a legalidade de transferirmos nossas atividades para Vila Fátima, para o Parque Agroecológico Luz de Maria, foi uma decisão tomada em assembleia, afinal, não nos adianta termos um prédio maravilhoso e bem localizado em Bragança, se não temos condições de mantê-lo (energia, água, limpeza, manutenção, vigilância, encargos sociais e etc), não restando outra alternativa, senão, transferirmos o nosso trabalho social para outro lugar, onde pretendemos ter a auto sustentabilidade necessária para no futuro volvermos à Bragança. Engraçado, mas, nenhum jornalista questiona o atraso e o megalomaníaco investimento de 13 milhões de reais, em obra do Governo do Estado, com a recuperação do Antigo Mâncio, para a implantação do Liceu de Música de Bragança, que inclusive só existe o projeto devido a grande demanda que criamos de músicos que hoje estão inseridos nos mais variados grupos ou vivendo de forma autônoma, através do talento que descobrimos ou desenvolvemos com nosso projeto. Quanto à nossa integridade financeira venha nos ajudar a criar outras alternativas para nos mantermos, pois, enfim, é muito difícil manter esta entidade social, principalmente com a qualidade de pessoas (existem muitas exceções) e políticos dessa cidade que só se importam em tirar proveito da nossa derrocada cidade. Eu agradeço que felizmente existem raras criaturas de bem e sensíveis às causas sociais que ainda nos ajudam e sempre se engajaram para manter vivo o trabalho desenvolvido por nossa instituição. Como jornalista deverias questionar muitas entidades, como aquelas que são administradas por presidentes vitalícios, aquelas que viraram empresas de família, aquelas que estão em ruínas, sendo invadidas e servindo hoje para abrigar a prostituição, ou, ainda, aquelas muito lucrativas que ao invés de praticarem a caridade só visam lucro locando seus patrimônios. E ainda, aquelas que em confraria objetivam somente a promoção de pessoas, muitas delas que nada contribuem ou deixado quaisquer legados para a sociedade. Hoje o Instituto AMA se mantém, infelizmente, da locação de sua sede e o patrocínio de uma empresa local. Atende atualmente 45 crianças que estão a se aprimorar para a formação de uma orquestra, em Vila Fátima, pois nosso estatuto e CNPJ estabelecem que podemos ter atuação inclusive fora de nossa sede. Quero agradecer a valorosa solidariedade e colaboração da Dra. Cibele Guimarães e Profa. Mariana Bordallo em nossa defesa, elas são pessoas que tenho muito apreço e admiração, não apenas pela sensibilidade e elevação espiritual, mas ainda pela gentileza, intelectualidade e educação, virtudes cada vez mais escassas em nossa sociedade. E para finalizar, gentilmente solicito que o Sr. Francisco Weill suba novamente à torre para desta vez dispensar aos ventos estas delicadas penas, minhas palavras, como forma de minimizar as dúvidas alancadas sobre a honra de nossa entidade e minha própria dignidade que foram feridas com suas interpelações. Minhas considerações são um apelo para que as pessoas larguem as pedras e cultivem suas próprias árvores, deixando em paz aquelas que foram regadas com muito amor e adubadas com dignidade. Espero ter ajudado e esclarecido com minhas breves colocações, e, se ainda restarem outros questionamentos, apesar de estar extremamente ocupado com minhas obrigações, coloco-me à inteira disposição para esclarecimentos. Um forte abraço aos leitores.
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