#ASSÉDIO “Machistas infernizam a vida de mulheres na noite bragantina”

Um lugar onde as mulheres se sintam seguras e os machistas com medo é o que está faltando em Bragança do Pará.
Recentemente, mais uma cena de assédio e agressão foi registrada num mesmo bar e praticada pela mesma pessoa.
A direção do espaço proibiu a entrada do acusado contra o qual foi registrado um Boletim de Ocorrência.
Os detalhes do episódio são conhecidos de redes e boatos sociais e não nos interessaremos por eles neste instante.
Mas queremos aqui repudiar tais atitudes e do mesmo modo o silêncio da sociedade bragantina.
E sabemos que isto ocorre por causa do espaço onde esta ação ocorreu.
Há uma controvérsia social com relação ao Viúva Negra, tal qual ocorria com o Vacaria, hoje com as portas fechadas.
Contra ambos os espaços havia denúncias não comprovadas de que menores de idade consumiriam drogas lícitas e ilícitas nos estabelecimentos.
Por diversas vezes a Polícia, aciona, solicitou o Alvará de Funcionamento e não comprovou as denúncias.
Mas, independentemente de tais denúncias e respectivas apurações policiais, estes espaços se diferenciam dos demais, por sua clientela, jovem e livre.
Sem dúvida, a juventude alimenta estes espaços e os torna points da cidade que cada dia vê desaparecer suas referências culturais.
Voltaremos a falar deste assunto.
Pra já, fiquemos com as cartas que circulam na INTERNET sobre este fato:
1)
Viúva Negra bar
Boa tarde.
Homens que frequentam o espaço VIÚVA NEGRA BAR, gostaria de lembrar que essa casa não concorda e nem aceita qualquer violência cometida, seja física, verbal ou de qualquer natureza contra a MULHER. Toda mulher é livre, dona do seu corpo e é responsável pelo seus atos. A penalidade por não respeitar o direito das manas que frequentam esse espaço é a proibição de sua estada no local, já tivemos dois casos de agressão à mulher que foi levado a direção dessa casa e essas duas pessoas estão proibidas de frequentar o lugar.
Se a mana não quer conversar, respeite.
Se a mana não quer dançar com você, não insista.
Não toque em nenhuma mulher sem a permissão dela.
Nessa casa as mulheres são livres para dançar com e como quiserem, beijar quem quiserem, se vestir como se sentirem a vontade, conversar e lutar por seus direitos.
O Viúva Negra Bar repudia toda e qualquer violência contra as mulheres e iremos combater isso sempre.
Todo ser humano é digno de respeito e a nossa luta é justa!
MACHISTAS NÃO PASSARÃO
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2) Projeto Desconstruir, Reinventar, Humanizar‎ para I Encontro de Estudos Feministas de Bragança
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Devido a um ato deplorável e grotesco de violência moral e física contra a mulher, ocorrido ontem no Viúva Negra Bar, onde ocorria a socialização da segunda noite do nosso evento, I Encontro de Estudos Feministas de Bragança, vimos comunicar as participantes do evento que as atividades desta manhã serão condensadas num ato em frente à delegacia de Bragança às 10h onde as manas agredidas prestarão depoimento do ocorrido.
A noite se deu numa sucessão de atos de violência:
1 - Dentro da festa quando o macho puxou uma de nossas coordenadoras pelo braço e ao receber um NÃO iniciou um processo de agressão verbal com frases “essa tua amiga é muito doce, ela só não quer falar comigo porque eu sou preto”, e após esse episódio e sua reação diante de sua acusação infundada de racismo, pegou-a pelo braço insistindo com frases “deixa eu te conhecer, deixa de doce”. Depois desse momento a menina ficou desestabilizada emocionalmente e todos no bar começaram a gritar “macho escroto”.
2 – A partir disso a coordenação do evento tomou o microfone e relatou o acontecido, enfurecendo mais ainda o agressor.
3 – Alguns minutos depois uma outra coordenadora foi enforcada por ele, que dizia frases do tipo “vou te esperar aqui fora”, “vou dar um tiro na tua cara”.
4 – Diante da insustentabilidade da situação as pessoas chamaram a polícia para intervir.
5 – Ele foi embora antes da polícia chegar.
6 – A polícia pediu o alvará do bar, olhou e foi embora, ignorando totalmente o ocorrido.
7 – Várias pessoas subiram para a delegacia para registrar Boletim de Ocorrência.
8 – Na delegacia outros dois episódios foram extremamente refletores da sociedade machista que a gente ainda vive: a situação não pode ser resolvida porque alegou-se ter casos mais importantes e que chegaram antes e ainda que a situação não configurava violência de gênero (discurso retificado posteriormente). Diante do desgaste de todos e do horário, decidiu-se por retornar hoje, ás 10h para realizar o BO.
9 – Atentamos ainda para o fato de que alguns rapazes que subiram com as meninas para a delegacia se comportaram de maneira extremamente machista, invisibilizando as atitudes e falas das mulheres presentes e depois de contestados passaram a proferir palavras e canções pejorativas que encerram uma noite de horror.
Informamos que não podemos ficar discutindo estratégias de combater a violência contra a mulher em nosso evento e deixar esse episódio passar sem agirmos e sem escutarmos as manas que foram alvo da situação. Então as atividades desta manhã serão transferidas para a tarde na Universidade Federal do Pará, ás 14h.
Devido a perdermos a manhã pedimos as encontristas que se preparem para horas seguidas de debate nesta tarde para que possamos cumprir com os trabalhos das manas que vieram de longe compartilhar conosco seus dispositivos de intervenção nessa sociedade que agride mulheres todos os dias, nos mais variados espaços e das mais variadas formas.
MACHISTAS NÃO PASSARÃO!
A LUTA CONTINUA!

Fonte © #TRIBUNADOSALGADO
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