#ASSASSINATO “Bragança assustada com o crescimento da Violência"

O assassinato de Warlison Correia Reis, há cerca de sete dias (29-01-2017), deixou-me estupefato. Para além de ser amigo da mãe dele, a professora Maria José, confreira à  Academia de Letras do Brasil – Seccional Bragança, indigno-me com todas as modalidades que o fenômeno da violência se tem manifestado na sociedade brasileira.
Não me deterei por este motivo a analisar uma única situação, dramática, que envolve tanto a família enlutada, de certeza, quanto a família dos assassinos, também jovens, que desperdiçaram a própria vida, e de seus familiares, por terem optado pelo caminho da violência, por terem se lançado a este abismo, a esta cultura que cada dia a juventude a dissemina de forma tão natural que se torna ameaçadora e assustadora.
Até porque a  violência está em toda a parte, toma conta das ruas, invade nossas casas, desde as notícias, da forma espetacular como são transmitidas, sem filtros críticos, apenas de formas sensacionalistas, para criar o pânico, e gerar uma catarse no público, que somente é quebrada com os anúncios publicitários, de todos os tipos, de produtos, que atenuam esta sensação de desgraça, e de pavor, provocada pela dor e pela miséria alheia, que sempre assistimos nas televisões, aqui e ali, com a emoção modificada por causa dos rostos bonitos, e dos sorrisos forçados que são impostos pela Mída, conforme padrões de gosto branco e “civilizado”, assépticos, e absolutamente desvirtuados da realidade das pessoas, catatônicas, a maioria delas, absorvendo um lixo que é tanto espiritual quanto material, e que as paralisa e imobiliza.
Porque falar de violência é também falar da própria violência da Mídia, das rádios, das TVs, quase todas nas mãos de poucos patrões, e com interesses empresariais sórdidos, a rejuvenescer as opressões contra mulheres, contra jovens negros das periferias, contra a liberdade sexual das pessoas, e o direito delas escolherem as suas forma s de prazer, uma violência ideológica, e religiosa, que se desmascara a toda a hora, quando privilegia uma religião em detrimentos de outras, uma violência política, que ataca um grupo partidário, e silencia diante das injustiça cometidas pelos poderosos, assim vivemos, um estado absoluto de violência, dominado por uma Mídia e por um Judiciário que protegem bandidos e mafiosos e permite que governantes comprovadamente corruptos administrem nossas instituições.
Falar de violência é falar da violência que se faz dentro da própria casa, na educação das crianças, quando estas são forçadas a abraçar e a beijar, ou instadas a se tornarem adultas, a terem responsabilidades que nem mesmo as pessoas “grandes” têm,  mas sem que ainda tivessem despertado para a própria infância delas, uma exigência de mercado, da sociedade paranoica, que, sem respeitar os direitos das crianças e dos adolescente, ainda lhes imputa produtos para que se tornem “dondocas” e “príncipes”,  falsos, e hipócritas, quando deveriam aprender a ser solidários em casa, apoiar aos familiares, e aos irmãos e a colaborar com a vizinhança e a sociedade a qual ela está vinculada.
Vivemos dias de violência, num Estado de violência, um caos, sem dúvida.
E a morte desse jovem que tombou vitima de bala disparada a queima roupa em sua nuca é apenas uma a mais entre as estatísticas da criminalidade nacional.
É, apenas uma morte a mais.
Depois que ele foi assassinado, eu me dediquei a tentar dialogar com diversas pessoas, algumas que o conheciam, outras que dele teriam ouvido falar, e eu ouvi diversas histórias e estórias, sem saber ao certo quais destas são as verdadeiras ou o que tem de verdade em cada uma destas histórias e estórias.
O que eu sei é que normalmente quando as pessoas morrem, elas logo se tornam santas, mas todos sabemos, que, como seres humanos, temos as nossas virtudes, e as nossas falhas, e que, os verdadeiros julgamentos, de nossas ações, a Deus pertencem, mas também carecem das observações daqueles que verdadeiramente nos conheciam, ou que conosco comungaram de momentos, e experiências, até porque tem dias que somos bons, e outros que somos maus.
Ouvi dizer, portanto, que ele tanto não fazia mal a uma mosca, quanto que gostava de confusão, que era uma pessoa do bem, mas que não levava desaforo para casa, que tinha sete vidas, quer sofreu diversos acidentes de moto, que gostava de motos, que gostava de cavalgar, que gostava de se divertir, que gostava de viver, tinha alguns desafetos, que tinha muitos amigos, que era uma pessoa expansiva, mas que também ficava calado.
E que era usuário de drogas.
Talvez, por causa disso, ele teria sido assassinado.
Eu não vou aqui discorrer sobre o que penso em relação as drogas, até porque sou favorável à descriminalização da canabis sativa, entretanto, não fosse o preconceito contra quem usa drogas, talvez este crime não tivesse acontecido.
E muito outros crimes similares a este não teriam acontecido em nenhum lugar do mundo.
E a Polícia e a Mídia teriam de continuar a investigar os crimes que são rapidamente encerrados com o desfecho patético do “acerto de contas”.
Ou seja, devia na “boca”, devia ao “boqueiro”, ou a algum traficante, e foi pelo seu grupo executado, seja para demonstrar força aos grupos rivais, seja para demarcar um campo com os próprios usuários toxicodependentes, que andam feito ratos pelas ruas da cidade a esmolar dinheiro para comprar a droga que tanto consomem e a qual necessitam até mesmo para viver.
Isto é dramático para estes jovens e para seus familiares, mas isto é dramático para todos nós, sociedade, não podemos fechar os olhos para esta realidade, que a todos nos afeta.
Pois, mas estes episódios nem se comparam a este caso.
(Nós Já convivemos com situações de familiares usuários de drogas em nossa casa e sabemos muito bem o que passam as famílias quando um dos seus cai neste mundo...)
E Warlison era negro, mas não era pobre.
Usava drogas, mas tinha uma vida “normal”.
Não se podia imputar a ele esta condição de um cidadão preto imprestável drogado.
Este papel não lhe caberia neste seu drama que se tornou tragédia porque saiu do alcance familiar e se estendeu ao espectro social.
A bala que lhe ceifou a vida também ceifou a vida de Bragança.
A cidade se abalou.
Para a Mídia e para a Polícia, seria simples se este fosse o desfecho, “acerto de contas”.
E não se falaria mais nisso. Seria nesse caso mais um morto, como tantos outros.
Mas não é.
A morte deste cidadão desperta reflexão e nos coloca a pensar sobre o fenômeno da violência.
Este fenômeno sem sentido da cultura das armas.
Há aqui que investigar inclusive se estes “seguranças” possuíam porte de armas, se haviam passado por algum curso especializado, se eram vinculados profissionalmente aos postos em que prestavam serviços, se tinham carteira assinada, se recebiam direitos trabalhistas e previdenciários, porque os seus patrões também tem de ser penalizados.
Ou o que faziam estes rapazes com armas nas mãos em plena madrugada?
Em nome de quem e com que direitos eles se davam a este direito de ter armas e dispará-las contras as pessoas?
A sociedade não pode ser tão cega a ponto de observa r este crime, esta execução, e pensar apenas em um assassino ou num simples assassinato.
O assassino está a solta, pactuando com este estado de coisas, este caos, e esta cultura que cresce de forma desenfreada.
Vamos combater a violência com o combate a cultura de armas.
Façamos o combate a toda a cultura da violência que está dentro de nossas casa e na nossa vida quotidiana.
O ciclo da violência se espraia neste espectro, se considerarmos que estes jovens, ao contrário de armas, deveriam ter cadernos, e canetas nas mãos, deveriam ter vagas nas escolas, e seus filhos e irmãos, deveriam ter tratamentos adequados de saúde pública.
E seus familiares deveriam ter empregos dignos.
Provavelmente, aquela não era a primeira vez que Warlison Correia Reis se dirigira até a feira para fumar, e seguramente que se ele imaginasse que aquela seria a sua última noite, ele jamais teria lá estado.
Em nenhum momento ele havia colocado em risco o patrimônio público da Feira.
Estava apenas a curtir ao seu modo a sua própria noite.
Sem fazer mal a ninguém.
Mas uma confusão teria acontecido, disseram os acusados, segundo notícias veiculadas no site da própria Polícia Civil.
 Há contradições nos depoimentos se a bala teria sido disparada durante ou depois desta confusão.
Interesso-me pelo fenômeno da violência,  e identifico claramente indícios de execução naquela noite.
Quem saberá o que terá de fato ocorrido naquela noite, se existem apenas três testemunhas vivas, e elas são acusadas do crime?
O que quer que digam pode tanto ser verdade, quanto algo inventado para dar sentido a uma versão que precisam sustentar diante de um Promotor Público ou Juiz.
Se uma simples bala abala a cidade, imagina uma bala que atravessa a nuca de um cidadão q entrou na nuca do de um cidadão, que andava à cavalo, possuía uma moto, era boa pessoa, mas não levava desaforo para casa.
Em respeito ao morto e a sua família enlutada, não me interessarei pelas versões que me têm chegado, entretanto, uma palavra eu quero escrever a respeito deste assunto, sem entretanto, ferir sentimentos.
Em geral eu desconfio de quem fabrica heróis e mata os seus algozes.
Porque é violência desejar a morte de outro ser.
Se uma bala abala a cidade, imagina a guerra que ela - cega - participa mas não a vê?
Escrevo sobre violência, contra a cultura da arma e do ódio, por mais paz e tolerância.
A culpa é tanto de quem mata, quanto de quem contrata um matador.
E é assassino quem atira, mas também quem compra a arma.
Só uma sociedade doente deixa um doente portar armas.
Prefiro livros às armas, e falas no lugar de balas, orações ao invés de acusações.
Mas estou estarrecido, tanto com o assassinato, quanto com a exposição dos acusados, em público, pela PM que costuma desfilar com “bandidos” quando estes são pobre e pretos.


 Imagem recolhida de Rede Social (Facebook) 

CASO > Warlison Correa dos Reis foi executado por Waldemir Raylan da Silva Lacerda à queima rouba (com uma bala na nuca) na madrugada do dia 29/1/2017, na área da salgueira da feira de peixes de Bragança. Outros dois acusados Cláuber Felipe Gonçalves Vieira e Augusto César da Silva Martins teriam se envolvido em confusão com a vítima, que era usuária de drogas (FONTE SITE POLÍCIA CIVIL > http://www.policiacivil.pa.gov.br/pol%C3%ADcia-civil-desvenda-homic%C3%ADdio-na-feira-de-peixes-de-bragan%C3%A7a)

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