#IFPA/Bragança "Cine-OCUPA-Cidade encerra Atelier/Vivência"

Eu não apoio a ocupação, eu ocupo.  Eu não quero debater a ocupação nas redes sociais, mas conversar com quem se ocupa de ocupar.

Porque é preciso um dia você parar tudo e dizer que as coisas não estão a funcionar do jeito que elas deveriam funcionar.

Apesar de você ter dúvida e mesmo sem saber ao certo o que fazer para mudar, você quer mudar.

E para mudar é preciso atitude.

Ainda que esta atitude nem sempre seja a que vai agradar a todas as pessoas.

E ainda que seja contraditório você querer fazer uma coisa pelas pessoas e as pessoas acharem que você está a fazer uma coisa só para você e sem pensar nelas.

Sim, você será questionado pelo que faz.

Sim, você precisa ter a dimensão exata de sua ação.

Sim, você tem que observar os complexos processos que movem este tabuleiro, e as suas regras, para que, já agora, ou mais a frente, você tenha que desorganizar as peças, e mudar as regras, só para derrotar o seu inimigo.

Ou, você ainda terá que, diante não de seus algozes  mas daqueles que estão ao seu lado, ou, mesmo daqueles, que nem estão lhe acompanhando, questionarem, as suas atitudes e os seus pensamentos.

E criticarem o modo com que se concatenam as suas palavras e as suas ações, nas vias práticas que encaminhas aquilo que queres encaminhar.

Sim, isso não vale apenas para a luta, mas para tudo na vida.

Sim, somos iguais, mas somos muito diferentes, vivemos em casas diferentes e e mundos que se parecem iguais mas somos diferentes.

Sim, e nestes tempos, estes mundos estão fechados, em bolhas que criam realidades paralelas.

Sim, as pessoas estão drogadas, e não conseguem mais pensar.

Sim, as pessoas estão conectadas umas as outras por uma dimensão que não lhes toca a alma e nem lhes corta a carne.

Sim, as pessoas projetam, e não percebem o quanto é deformada esta idealidade diante das realidades sobre as quais falam mas não vivem .

Sim, eu não quero debate a ocupação, eu quero sentir de cada pessoa com a qual eu falo, nas vivencias e nas rodas, o que elas tem de comum entre elas e o que elas tem de diferentes.

Sim, estas pessoas resolveram dar um tempo para a sociedade, fazer com que ela, a sociedade que também são elas próprias, pelo menos se pergunte sobre o atual estado de coisas, independentemente das razões ou das desrazões de quem quer que seja.

O rito de um inconsciente que aliena e um livro que se esconde, um estudo que não se descobre, e uma solidariedade que se faz no dia a dia.

A ocupação há uma escola de quadros, uma escola de lideranças, uma escola que não tem regras, e que as formula no embate do afeto, na troca de esperanças.

Sim, gestão e as coisas fluem, fora das vias burocráticas.

A ocupação é um lugar de regras mas sem ordens, é livre, sem que por causa disso se perca o respeito pelas instituições, antes pelo contrário, a máquina funciona, uma máquina de guerra, que se move por si só, num corpo.

Um corpo que tem uma forma tão intima e colaborativa que não se pode dimensionar a sua grandeza, porque ele também se dispersa e se reduz e se recolhe em cada fraqueza de cada menino.

Ocupar é o estudo das não-normas.

A ocupação se faz enquanto se ocupa, no processo de seu acontecimento, como um fenômeno, em movimento, que não fixa.

E este seria o erro, o de usar esta tática de guerrilha urbana para um fechamento, num centro.

Ocupa-se, desocupa-se.

Fora da institucionalidade, mas em diálogo com a institucionalidade, e mais ainda, em ação, com a comunidade.

Há que se comunicar a ocupação.

Ocupar evigora o lugar ocupado,  ainda que este lugar seja uma Instituição.

Porque ocupar redimensiona o espaço.

Logo, nãos e pode tornar a Ocupação em uma Instituição.

A ocupação é transitória.

Um lugar em processo de aprendizado, que se refaz em si própria, a ocupação, quando operada num  “outro” espaço, um lugar-outro.

A ocupação só acontece neste lugar-outro, como um signo que se realiza no objeto que ele edifica e a cultura o eleva a sua representação.

Este lugar-outro é o lugar-nômade da ocupação.

A ocupação se processa em mutação.

O lugar da ocupação é o lugar que tem de ser desocupado.

A ocupação é temporal, mesmo atemporal.

Ocupa-se, desocupa-se.

Experimenta-se a relação humana entre os ocupantes de uma forma visceral.

Há que se entregar, estar, deixar-se ficar, ocupar.

Ocupar um espaço é ocupar-se ao seu próprio espaço, interior.

Ocupar é filosofar.

Ocupar é aprender porque ocupar é uma escola cujo Mestre mais aprende do que ensina.

Há nuances, e instintos tão próprios, destes corpos individuais que se tornam um só, no percurso da ocupação.

Corpos que se atraem e que se retraem.

Um corpo só, a ocupação.

Ocupa-se um espaço para se conquistar espaços.

Ocupar é movimentar o espaço ocupado para além de seu próprio muro.

Ocupar é atravessar a História, fazendo-a, demarcando, neste território, um corpo-coletivo.

© Carpinteiro





SERVIÇO

Cine-OCUPA-Rua, 20H  / Projeções de documentários e curtas-metragens de Francisco Weyl

Projeção de imagens fotográficas da OCUPAÇÃO/IFPa-Bragança

Projeção de depoimentos de estudantes sobre os movimentos de ocupação

Projeção de documentários resultados de projetos coletivos e sociais

 A Festa da Cobra > Coletivo RESISTÊNCIA MARAJOARA

Quem cortou a Língua de feiticeira que os donos do mundo temiam  > Coletivo RESISTÊNCIA MARAJOARA

Meta_Fora > Coletivo Cinema Pobre de Cabo Verde

Imagens da Liberdade > Coletivo de Cinema Quilombola do Tabatinga Médio (Cametá-ISSAR)

Memórias do Senhor Coelho > Coletivo de Cinema Quilombola do Tabatinga Médio (Cametá-ISSAR)

Um poeta não pega > Francisco Weyl

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