#CANELAS “Pesquisadores tentam trazer de volta as aves migratórias”


Bragança > 26 de Agosto de 2016

Cães abandonados por pescadores ameaçam o ecossistema na Ilha de Canelas, em Bragança, Pará.
Famintos, os cães destroem os ovos dos diversos pássaros que povoam e circulam a ilha.
Eles atacam os ninhos das aves migratórias, os filhotes, e ainda chegam ao extremo de cometer canibalismo.
Para se ter ideia da extensão disso, um cachorro faminto leva cinco minutos para acabar com mais de cinco ninhos de aves.
O fenômeno provoca uma reação em cadeia.
As aves não fazem mais ninhos lá.
A população sente os efeitos do problema.
Além da extinção de aves migratórias, observa-se a diminuição da quantidade de pescado.
E, com a fuga ou ausência das aves migratórias, rareiam os materiais biológicos.
Altera-se o ecossistema local.
O fenômeno foi observado em outras ilhas, ao redor de Canelas.
O biólogo Cristovam Guerreiro Diniz afirma que pelo menos duas espécies, a Charadrius wilsonia e a Sterna antillarum, estão ameaçadas de extinção.
Pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Diniz denunciou o caso em rede social:
“Sem as aves, o ciclo da cadeia alimentar é afetado e faltam peixes. Todo pescador sabe, tradicionalmente, que onde há aves há peixe e a falta delas está ligada à dificuldade de encontrar os cardumes e, para a população em geral, à oferta de peixe para a alimentação".
O pesquisador coordena um projeto de proteção e manejo de aves migratórias marinhas.
E conta com a parceria de diversas pessoas e instituições.
Biólogos do IFPA – Bragança; engenheiros de pesca da UFPa; voluntários da ONG “Veterinários Sem Fronteiras”, secretaria municipal de Pesca; de Meio Ambiente; e de Saúde; da prefeitura municipal de Bragança; Associação  de Proteção Ambiental de Bragança.
Ele e seu grupo entrevistaram dezenas de pescadores.
E os conscientizam sobre a gravidade da situação, via conversas, e afixações de placas de orientação.
A ilha é monitorada pelo grupo desde dezembro de 2014.
Já foram cerca de 30 expedições.
Os pescadores revelaram que os animais também servem de companhia e de segurança.
Mas também admitiram que os “esquecem” nas praias, mesmo sabendo que eles destroem ovos e filhotes das aves.
Mesmo sabendo que onde não há ave, também não há peixe.
Os cães se reproduzem facilmente, já chegaram a mais de 80.
Mas a situação estabilizou depois que o grupo já realizou a castração de dezenas cães.
Na sua última visita (20/08), apenas 10 animais, entre cães e gatos, foram castrados.
De acordo com Cristovam Diniz, o esforço alcança os resultados desejados.
 O esforço pela conservação, o trabalho de esterilização, e o resgate de filhotes, para adoção, poderá trazer de volta as aves migratórias marinhas, e os peixes.
Mas o pesquisador admite, entretanto, que o mesmo cenário poderá se constituir, se cessarem a orientação e a fiscalização ambiental.




Fonte © #TRIBUNADOSALGADO
 (Com conteúdos textuais e imagéticos do perfil FB de Crisotvam Diniz https://www.facebook.com/cwpdiniz?fref=ts e www.kickante.com.br/campanhas/protecao-e-manejo-de-aves-migratorias-marinhas )

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