#ANIVERSÁRIO “Juiz da festa fala sobre os 218 anos da Marujada”


A Irmandade da Marujada de São Benedito completa 218 anos no próximo dia 3 de setembro.
Haverá alvorada de fogos, jantar e missa.
Por causa disso, #TRIBUNADOSALGADO solicitou uma mensagem do Juíz da festa 2016, Josinaldo dos Reis, que aparece na foto junto com sua família, nesta reportagem.
Mensagem (EDITADA)
Serei o Juiz desta festividade do glorioso no ano vindouro.
Confesso o encanto que a força da cultura popular exerce sobre minha existência.
E agradeço a todas as coisas boas que a vida já me proporcionou.
Que as energias positivas pairem sobre mim em 2016, e me ajudem a levar o bastão bissecular.
Sigamos firmes e fortes em busca de sonhos e motivações ainda mais fantásticas, que nos alimentam nesta nossa passagem aqui na nave mãe.
Caminharemos lado a lado, eu e o velho encanto do bailar descalço com sorriso aberto, a personalidade forte, quase que grosseira das guardiãs da nossa tradição.
E, é claro, o fetiche dos chapéus, descritos com a sutileza pouco peculiar da minha bisavó Maria Badú (1915-2002).
Recordo minha bisavó falar da Marujada, e de uma festa para um Santo preto.
Lembro principalmente da maneira quase hipnótica que certa vez me descreveu o chapéu colorido das Marujas.
Tudo isso começou há muito tempo.
Desde menino...
(Josinaldo Reis)


Mensagem (COMPLETA)


A MARUJADA

“Pessoas que tão na parte de fora não entendi, né?! Mas quem tá da parte de dentro pode compreender e sentir tudo”. Disse o estimado camarada Valdeci Santos, o encarregado da comitiva do São Benedito das praias, respondendo a uma das minhas inúmeras indagações.
Estive por muito tempo “na parte de fora”, mas este encanto esteve dentro de mim desde cedo. Tudo começou há muito tempo, recordo-me de certa vez da minha Bisavó Maria Badú (1915-2002), falando da Marujada, de uma festa para um Santo preto e principalmente da maneira quase hipnótica que certa vez me descreveu o chapéu colorido das Marujas.
Em dezembro de 2002, os Deuses do acaso me puseram para parte “de dentro”, foi quando fiquei frente a uma cena inesquecível. Era como se ela, a dona Maria Badú estivesse narrando em sussurros em meus ouvidos os que meus olhos viam.
Era uma senhora que não aparentava atingir mais de cinquenta anos, pele negra, saia rodada em tonalidade azul, blusa branca com vários buraquinhos, um tipo de renda, uma fita de cetim seguia transversalmente ao corpo, completando a ornamentação das vestes uma flor azul colada ao peito. Os pés estavam descalços, usava uns colares coloridos de bijuteria, várias pulseiras que combinavam com os colares, grandes brincos de argolas em mesmo tom, sob a cabeça um chapéu revestido com um tipo de tecido metálico dourado, coberto de um tipo de plumagem branca com alguns barangandãs, de onde na parte de trás várias fitas longas e coloridas que formavam um tipo calda. Estas fitas ao serem balançadas pelo vento e pelo movimento dos passos daquela senhora, pareciam formar um movimento hipnótico. De repente, eram diversas delas, de idades variadas trajando as mesmas vestes, e em seus olhares pairava um ar comum de felicidade. 

Um certo dia de 2004, em uma conversa com uma grande maruja chamada Benedita Nazaré, sobre tudo isso, ela de súbito ela disse:
- Bem que tu poderias ser era Juiz da Festa.
De repente em passos curtos e ligeiros pegou um caderno pequeno de páginas amareladas, folheou, passou o dedos sob nomes e datas que pareciam longínquas, quase anos luz para minha ansiedade, e levando à vista exclamou:
- o mais perto aqui é para 2015!!!
Por questões logísticas o 2015 virou 2016.
De lá para muitas graças e desgraças foram alcançadas. Mais graças, isso garanto!!!
Serei o JUIZ desta festividade do Glorioso no ano vindouro, confesso o encanto que a força da cultura Popular exerce sobre minha existência é, e será fundamental e agradeço a todas as coisas boas que a vida já me proporcionou.
Que as energias POSITIVAS pairem sobre mim em 2016, e me ajude a levar o bastão bissecular. Caminharemos lado a lado, eu e o velho encanto do bailar descalço com sorriso aberto, a personalidade forte, quase que grosseira das guardiãs da nossa tradição e, é claro o fetiche dos chapéus, aqueles detalhadamente descritos com sutileza pouco peculiar da minha Bisavó.
Em 2016 sigamos firmes e fortes em busca de sonhos e motivações ainda mais fantásticas que nos alimentam nesta nossa passagem aqui na nave mãe.
 Dedico a todas as pessoas que dão vida à Cultura Popular Brasileira.

Josonaldo Reis, o BIL




                                                      Fonte © #TRIBUNADOSALGADO

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