‪#‎LIVRO‬ > “Mercado literário vai mal das pernas” >


Até o próximo dia sete de junho, estima-se que cerca de mais de R$ 15 milhões tenham sido movimentados nos estandes da XIX Feira Pan-Amazônica do Livro, que deverá ser visitada por cerca de pelo menos 500 mil pessoas, que poderão comprar, segundo previsões, cerca de pelo menos 900 mil obras disponibilizadas à venda.
Apesar da crise internacional e do desinteresse comprovado do brasileiro pela leitura, o mercado livreiro , de acordo com o Painel das Vendas de Livros do Brasil – apresentado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e o Instituto de Pesquisa Nielsen -, vai bem, obrigado. As vendas em livrarias registraram um crescimento de 3% no primeiro trimestre de 2015, comparando-se o volume de exemplares no mesmo período de 2014.
Mas a pesquisa revela, entretanto, um dado muito grave para mercado editorial brasileiro, considerado muito concentrado. Os 500 mais vendidos correspondem a 25% do total das vendas, de um total de 150 mil títulos comercializados nos três primeiros meses deste ano, período em que caiu em média 1,30% o valor desembolsado pelo consumidor, com forte impacto nos livros de ficção e universitários.
Ou seja, nem tudo vai às maravilhas com o mercado setorial livreiro. O livro está em decadência na preferência do público. A informação é da Fecomércio RJ/Ipsos, que divulgou pesquisa em abril de 2015, sobre os hábitos culturais do brasileiro, entretanto, o problema é a extensão da ideia de cultura do cidadão entrevistado.
Apenas 29,9% dos entrevistados, segundo a pesquisa, afirmaram ter lido um livro ano passado (detalhe que em 2013 este percentual era de 35,3%). Dos cerca de 45% dos brasileiros dizem ter aproveitado alguma atividade de cultura ao longo do ano passado, 11,4% dizem ter ido ao teatro pelo menos uma vez. Shows de música e cinema também caíram na preferência do brasileiro. 80,6% dos entrevistados não vai a shows; 73,7% não entra no cinema. Exposições de arte, então, nem pensar: 92,5% dos entrevistados declararam que não participam dessas atividades; e 88,6% não frequenta espetáculos de dança.
Mas, para além falta de gosto (que correspondem a 76% das justificativas para este lamentável quadro), os vilões da cultura são os elevados preços das atrações (nem as meias-entradas ajudou a reverter o cenário), e também as novas tecnologias, que facilitaram o acesso para quem tem computador com internet, e redes sociais, concorrentes da silenciosa leitura.
Mas, vamos à feira, “garimpar” promoções e rescaldos de editoras nacionais, regionais e estaduais. E se possível dialogar com jovens escritores, inclusive estes que são independentes e lançam suas obras fora dos mercados, com financiamento próprio, auto-sustentáveis, artesanais, criativas e coletivas, como fan-zines e outras formas de expressar a arte literária para além da grana, que, como diz o poeta, “destrói coisas belas”.
Fonte © ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬
(Texto: Francisco Weyl / Foto meramente ilustrativa: Dri trindade)
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