‪#‎CAVALGADA‬ > “O Cavaleiro negro e o príncipe da Rússia” >


Ele já foi proprietário de 50 cabeças de gado, mas hoje mexe apenas com cavalos, coisa que na verdade ele faz desde menino, quando tinha a idade de dez anos, momento em que começou a desenvolver uma espécie de paixão na lida com o animal.
“A riqueza de meu pai era cavalo, hoje eu sou domador de cavalo machador, ensino a marchar, aprumar, colocar na posição”, explica o agricultor de profissão, maranhense de nascimento, e bragantino por opção, Celso Afonso Lopes Carneiro, 49 anos.
A casa em que reside há trinta e cinco anos no bairro da Vila Sinhá é constantemente frequentada por amigos e mesmo recém-conhecidos que lhe pedem informações e orientações e mesmo ajuda direta para tratar, curar e preparar cavalos.
“Chegamos no dia 25 dezembro 1979, não havia asfalta e casa aqui perto do aeroporto a gente contava no dedo”, diz, recordando o período em se mudou com a grande família de Bacuri (Maranhão), para Bragança. Nesse mesmo dia conheceu a Cavalhada. E logo que a conheceu, tornou-se devoto de São Benedito.
Naquele período, recorda, o terreno localizado à Avenida Tiradentes (número 91), no bairro da Vila Sinhá lhe pareceu ideal para criar animais, entretanto, com a chegada do asfalto e do trânsito, isso se tornou impraticável, razão pela qual ele hoje possui apenas três cavalos.
“Eu comecei brincar de argola, mas parei, depois, fui apreciar os amigos, e eu, sempre montado, eu olho, e vou dar uma volta, com os amigos, desfilar os cavalos marchadores”, esclarece. Ou seja, Celso trocou as disputas entre cavalos exatamente para melhor exibir ao público os dotes dos animais que possui e que também os trata.
E toda esta sua paixão por cavalos, somando-se às suas amizades, naturalmente o levaram até as cavalgadas. Celso já participou de oito cavalgadas, sempre montado no seu “Príncipe da Rússia”, um belíssimo e muito querido animal de três anos, que ele faz questão de selar e colocar o arreio, aliás, bem estiloso, como se pode observar na foto que ilustra este texto.
E, ao observar que, pela altura da festividade da Marujada de São Benedito, muitos devotos vêm de diversas comunidades para prestigiar a cavalhada, sem, entretanto, terem parentes que os receba no Município, Celso então teve a ideia de preparar e oferecer um “sopão” para os cavaleiros no dia 25 de dezembro, data da cavalhada.
Hoje esta prática se repete e reúne dezenas de pessoas de diversas localidades. Virou uma espécie de tradição espontânea. Além disso, religioso que é, Celso também oferece um almoço para os cavaleiros no Dia do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que ocorre no segundo domingo de novembro.
E toda esta movimentação de cavaleiros e familiares acabou por criar um clima de festa na sua residência, motivo que o levou a reunir pessoas para um “forrozinho” animado, que acabou evoluindo para um terreiro em que produz festas pelo menos uma vez por mês.
Com apoio da família, Celso passou a contratar bandas e sistemas de sons, além de seguranças para garantir a tranquilidade do público, entretanto, ele neste momento faz alterações estruturais para se adequar ás exigências da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, como por exemplo placas de sinalização e banheiros internos, saída de emergência e tapume para isolar a área da festa.
Na sua festa, mulher não paga das nove da noite até meia-noite, os homens pagam entre cinco reais e dez reais, não há um preço certo, depende da atração e do movimento. “
“Se é para brincar, brinca, mas se é para bagunçar... temos seguranças, aqui dentro, nunca deu confusão”, comemora Celso, que é agricultor de profissão, e pessoa muito querida em sua comunidade, na qual haverá mais uma festa, desta vez no dia 30 de maio, dia que Bragança viverá mais uma cavalgada. E Celso, o Cavaleiro Negro, estará presente, com o seu Príncipe da Rússia. Estamos todos convidados. Para a Cavalgada. E para festa.
Fonte © ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬
(Texto: Francisco Weyl / Foto: Dri Trindade)
Tecnologia do Blogger.