‪#‎GREVE‬ > Diretor da Tribuna avalia paralisação na educação

Em nota postada no seu perfil nas redes sociais, hoje o poeta e jornalista Francisco Weyl, editor e diretor da ‪#‎TribunadoSalgado‬ fez uma análise sobre o movimento grevista dos professores públicos.

Leia a nota completa:
"Eu teria ousado fazer esta reflexão, porque, por princípio, defendo as lutas populares, reconheço-as como necessárias, entretanto, alguns métodos se demonstraram ineficientes nesta e nas demais greves, seja de professores e de quaisquer outras categorias.
O uso sucessivos dos mesmos métodos também os desgasta. Se você faz política e compreende que todos podem vir a ser conquistados nas causas, que todos têm o direito de conhecer os seus direitos e se reconhecer numa luta de todos, então você também tem que avaliar as suas práticas e se auto-avaliar na execução das mesmas.
Confesso que já cheguei a defender - na UFPa - a não deflagração de greves, tendo sido solenemente vaiado e quase cortado o meu direito de expor minhas dieias contrárias a greve. Quando eu defendi naquela altura a não greve, depois de vaiado e derrotado, fui defender que as horas paradas não fossem repostas, para que fossemos mais coerentes. Perdi e mais uma vez fui vaiado.
Penso que toda greve serve para avisar o para avisar ao patrão sobre uma coisa que ele costuma esquecer, que é para barrar o patrão, fazer com que o patrão tenha prejuízos e sinta nos bolsos o quanto os profissionais são capazes de produzir, que os profissionais não são apenas força de trabalho ou um produto como outro qualquer, pois todo trabalho gera a riqueza ao patrão.
Quando um operário faz greve, normalmente, ele não repõe as horas paradas, e mesmo que o faça, o patrão sente nos bolsos o prejuízo. Já um professor ou um trabalhador na educação não tem nem como provocar prejuízo ao patrão e muito menos repor o tempo deixado sem as aulas. Isso porque a maior riqueza que um professor gera é simbólica.
Então nos dias de hoje eu avalio que as greves estão a exaurir . Elas estão a cansar. E neste sentido numa perspectiva política, convocá-las sem que estas sejam acompanhadas num processo de conquista das demais categorias e da comunidade, um processo de ocupação criativa, cultural e pedagógica das escolas, elas perdem a sua força.
E ao perder a sua força, isso gera um processo de alienação da sociedade que passa a questionar seus próprios instrumentos por si mesmos quando deveriam questionar as formas pelas vias das quais elas estão a ser encaminhadas.
Porque as escolas não podem ficar simplesmente fechadas. Que não existam aulas, mas que existam práticas inovadoras de ensino. Práticas criativas. As direções dos movimentos têm responsabilidade sobre isso. Esta certo que o comando de greve tem de se desdobrar em diversas tarefas políticas e estruturais, tarefas técnicas internas ao processo de negociação e de mobilização das categorias, mas não pode jamais descuidar deste momento delicado e de todo este processo. Se a greve fecha a escola, ela prejudica o aluno, a sociedade, e ao próprio trabalhador na educação. Há que abrir os portões, chamar os artistas do bairro, os comerciantes, os pais e travar no âmbito da escola esta ocupação política e de resistência.
Eu sempre digo que qualquer greve de motoristas e cobradores de transportes coletivos – para além de melhores condições de trabalho e de salário – ela deve pautar também a questão do humanismo, porque não é justo que alguns profissionais destratem aos usuários, sob quaisquer que sejam os seus argumentos.
Sem este sentimento político de cidadania e de respeito muito a nós próprios, ás nossas práticas, ao papel que desempenhamos na sociedade e ao compromisso que temos com a História de nosso povo, muito raramente avançaremos. E os avanços em luta política sabemos, são lentos, embora sólidos".
Francisco Weyl
Bragança, 4 de maio de 2015
(Uma ‪#‎NotaFinal‬ Apenas para informar a amplitude democrática de nossa posição pólítica: produzimos uma matéria sobre o atual estado da greve dos professores e trabalhadores na educação do Pará, na qual demos voz ao comando de greve de Bragança e ás falas oficiais do Sinntep, que é o sindicato da categoria,e também reproduzimos missiva assinada por um professor que ministra aulas em Bragança).
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