#‎ECOLOGIA‬ > Estudantes do IFPa fazem seminário inédito em Bragança

As relações e as contradições entre agroecologia e agronegócio estão no centro de um encontro que acontece no auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Pará, IFPa. Organizado pela turma de Tecnologia em Agroecologia 2012, o I Seminário de Agroecologia: Integração Agroecologia e Bragança disseminando ideias prossegue até amanhã, 13 de maio,
Não apenas pelo ineditismo, mas pela pertinência e atualidade, o evento trás à luz um dos temas mais importantes de um planeta cada vez mais globalizado e individualista, que é a questão da produção, circulação e consumo de alimentos no âmbito de uma econômica agrícola industrial, cujo sistema financeiro deteriora o solo, prejudica a sua reprodução, desrespeita os ciclos naturais dos ecossistemas, com o uso indiscriminado de agrotóxicos, que contaminam lençóis freáticos e nascentes, desertificam o solo, e provocam a extinção de diversos biomas.
Outrora um local ideal para se viver, os campos se tornaram no próprio inferno, com desmatamentos e envenenamentos por agrotóxicos, sem esquecer as violências e mortes provocadas pela luta pela posse da terra. A destruição dos ecossistemas, a degradação das terras pela erosão, a perda do solo, dos nutrientes e da própria vegetação são os fatores que levaram o planeta a perder dois bilhões de hectares de terra desde a segunda guerra mundial. O planeta tem uma área de 8,7 bilhões de hectares.
O agronegócio destrói diariamente a agricultura brasileira, consequentemente, causa danos irreparáveis à vida e ao ambiente social. Mas, na contramão deste processo centrado na monocultura, na concentração de terras produtivas, na dependência de insumos químicos e na alta mecanização, entretanto, a agroecologia faz direta oposição ao agronegócio. Baseadas em pequenas propriedades, sustentadas por uma força de trabalho de natureza familiar, agregadas a redes regionais e cooperativas de produção e distribuição de alimentos, as práticas agroecológicas, nesse sentido, são o principal foco da resistência da agricultura familiar contra o processo de exclusão no meio rural e de homogeneização das paisagens de cultivo.
Em todo o planeta, cerca de 6,5 milhões de pessoas trabalham com agroecologia em 37 milhões de hectares onde são cultivados alimentos orgânicos. 7,7 milhões de hectares só aqui no Brasil. O volume de dinheiro circulado neste segmento chega a casa dos US$60 bilhões. Segundo a pesquisadora Ivani Guterres, a abordagem agroecológica propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção, e na base dessa mudança está a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas – uma produção com (e não contra) a natureza, portanto, tratam-se de novas formas de apropriação dos recursos naturais que devem se materializar em estratégias e tecnologias condizentes com a filosofia-base.


Mas a política expansionista de atual modelo agroindustrial prevê o aumento em 60% da produção agrícola mundial - para atender uma demanda populacional prevista em nove bilhões para 2050. A previsão do maior fabricante mundial dos coquetéis de fertilizantes químicos (“Syngenta”) é de que o mercado crescerá de US$70 para US$200 bilhões até 2025. O faturamento deste grupo chegará a US$17 bilhões. Até 2020, serão vendidos 180 milhões de toneladas fertilizantes. Detalhe é que a indústria gasta 40% dos custos de produção com os agroquímicos. Em 2008 foram 7,1 bilhões de dólares envolvidos no mercado dos agroquímicos no Brasil.
Não existem dados locais sobre o uso de agrotóxicos na agricultura e muito menos uma legislação e/ou fiscalização eficiente que enfrente de forma adequada a este grave problema. Entretanto, de acordo com levantamentos elaborados a partir dos dados disponibilizados pelo Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que, por sua vez, utiliza fontes do IBGE - Instituto Brasileiro Geral de Estatísticas, cerca de R$ 700 mil foram comercializados em produtos agrícolas pela lavoura permanente do Município de Bragança no ano de 2010. Apenas 0,37% de área é usada para a plantação, ou seja, cerca de 11.500 hectares. Com uma produção media de R$ 700 reais por hectare plantado, a produção agrícola média foi de R$ 8.417,34 mil nesse mesmo ano. Os grãos mais comercializados foram a mandioca (68,36%), o feijão (22,47%), a pimenta do reino (4,38%), o milho (2,24%), a laranja (1.4%), e o fumo(0.81%).
FONTE © ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬ /
(Texto: Francisco Weyl / Gráfico: https://interacaonatural.wordpress.com/…/agroecologia-x-agr…)
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