#IMPASSE > Sem reformas nas escolas, continua a greve na educação



O Comando de greve dos trabalhadores na educação de Bragança garante que continua a greve da categoria. Além das reivindicações salarias, o movimento quer que o Governo garanta o PCCR-Unificado, que irá beneficiar a todos os que atuam na educação pública, e as reformas das escolas.

A aposentada Maria Goreth Vasconcelos da Silva, as professores Ana Tereza, Lina Maria, e o professor Morales, do Comando de Greve Municipal, se encontraram na manhã desta segunda-feira, 27 de abril, na sede do Sindicato da categoria para encaminhar as ações do movimento e receberam a equipe da #TRIBUNADOSALGADO para falar e esclarecer sobre o processo de luta.

O pensamento da categoria, tanto em Bragança, quanto em Belém e nos demais municípios, é de que as negociações sejam positivas e que possam por fim á greve, entretanto, avisam, se o Governo não apresentar um documento concreto sobre a reforma das escolas, ou seja, um planejamento, com calendários, prazos, e valores, a categoria vai permanecer em greve.

Eles esclareceram que nenhum trabalhador da educação pública paraense faz greve por mais salário, antes pelo contrário, o movimento quer a garantia e a ampliação de direitos, que lhes têm sido sonegados e retirados, como o Piso Nacional da Categoria, o PCCR-Unificado e a reforma nas escolas.

O movimento foi deflagrado há 32 dias, com pelo menos três rodadas de negociação sem que as partes chegassem a acordo sobre os pontos mais polêmicos da pauta. Do embate entre gestores públicos e dirigentes sindicais, sobram interpretações e factoides, numa verdadeira guerra de informações e contra-informações.

Dos diversos pontos reivindicados, estão: A) o pagamento do Piso Nacional da Categoria, hoje fixado em R$ 1.917,00 (o governo diz que implantou na folha de pagamento do mês de abril o reajuste de 13,01%, e propôs negociação do pagamento do retroativo desse piso, que representa cerca de R$100 milhões, em 18 meses, enquanto que o movimento critica que esta proposta está condicionada ao Orçamento do Estado); B) a realização de concurso público (o último foi realizado em 2008, e o governo diz que criou comissão para a sua execução ainda este ano – a contratação de novos profissionais alivia a carga horária exaurida da categoria e confere mais qualidade a educação pública, avisam os grevistas); C) o PCCR-Unificado (que os grevistas dizem garantir direitos para todos os trabalhadores do setor e o governo diz que a proposta já esta na Assembleia Legislativa); D) e as reformas das escolas (o Governo diz que vai reformar 50 escolas, além das 50 que já reformou, enquanto que os grevistas dizem desconhecer qualquer planejamento ou calendário nesse sentido).

Apesar dessa guerra de informação e de contra-informação, na qual os professores saem perdendo porque não desfrutam de dinheiro para pagar a mídia (e dinheiro para a mídia o Governo tem dinheiro de sobra), o fato é que o movimento é legal, mesmo que o Governo ter tentado pedir a sua ilegalidade. A Secretaria de Educação, entretanto, conta como certa a volta as aulas na próxima semana, tanto é que desencadeou uma ofensiva para trazer de voltas as salas professores e alunos, além dos demais trabalhadores em educação. Os grevistas acusam que os trabalhadores em educação estão a receber ameaças, mas o Governo nega.

AVALIAÇÃO - De acordo com o SINTEPP, o quadro de greve aponta manutenção da paralisação em cerca de 94% das escolas da capital e suspensão das aulas em 122 municípios, mesmo diante da ameaça de corte de ponto e contração de temporários. A entidade esclarece em seu site que a categoria está fortalecida e analisa de forma minuciosa as propostas dialogadas pelo sindicato durante as reuniões com o governo, o qual, segundo o Sindicato, utiliza seu poder econômico para custear a mídia burguesa na tentativa de confundir os educadores e manipular a sociedade, entretanto, o Comando de Greve informa que não está medindo esforços para alcançar um consenso que garanta a não retirada sumária de direitos como propõe o governo.

AGENDA - Uma caravana de dezenas de professores e demais trabalhadores na educação pública irá se deslocar até Belém nesta terça-feira, 28 de abril, para participar da Conferência Internacional de Direitos Humanos, que acontece no Hangar- Centro de Convenções. A caravana vai se juntar com outras no Município de Santa Maria.

Os professores dizem que vão denunciar as condições ás quais estão submetidos e apresentar um documento em que comprovam que o Governo do estado não respeito o direito humano à educação pública. A meta é sensibilizar a opinião pública internacional.

Na agenda do movimento grevista dos professores, para além da participação na Conferência de Direitos Humanos está uma Assembleia Geral da categoria, dia 29 de abril, quando decidirão quais os rumos do movimento, considerado fortalecido, de acordo com nota oficial do site do SINTEPP.

Na quinta, dia 30, os professores voltam a se reunir em Assembleia, dessa vez, em Bragança, para decidir que rumos dar ao movimento local.



Fonte © #TRIBUNADOSALGADO (Texto e fotomontagem: Francisco Weyl/Dri Trindade)



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