#‎FICCA‬ Comigo

Começam esta noite no auditório da UFPa – Campus Bragança as peregrinações poéticas que irão culminar com a chegada de São Benedito das Praias no Município, 8 de dezembro. Neste mesmo dia oito iniciamos as sessões competitivas do II Festival Internacional de Cinema do Caeté, o FICCA, Quando o Santo chega, ele #FICCA.


O FICCA, portanto, na verdade começa já agora, a partir de hoje, representado sob três formas (Cineclube, Grupo de estudo, e Minicursos práticos).



Dinamizadas no âmbito do FICCA-Cine - Atelier de Artes e Práticas Audiovisuais, as ações potencializam o protagonismo e a cidadania da juventude fora do eixo dos grandes centros urbanos.

As sessões cineclubistas, os minicursos e os grupos de estudos – dentro desta dimensão - impactam a cena audiovisual bragantina e criam condições para um núcleo duro – de pensamento, produção e realização cinematográfica.

Estas três formas (Cineclubismo, Estudo, Minicurso) sob as quais estão representadas e configuradas o Atelier #FICCA-Cine estão relacionadas entre si sob princípios pedagógicos previamente estabelecidos.





Hoje, portanto, iniciamos esta primeira etapa do FICCA ancorados nos processos históricos antropológicos e vivenciais dos artistas que fazem do cinema uma forma de estar e se sentir um mundo mais humano.

Um mundo que seja poético e solidário, distante das regras e imposturas do mercado que negligencia o que a vida tem de essencial, que é a troca e o amor à experiência de viver práticas com as comunidades, com as quais aprendemos diariamente a ser ator deste mundo e a interpretá-lo segundo os signos artísticos.

Estimulamos assim o atravessamento destes módulos, tornando-se o participante necessariamente numa espécie de um vírus a contaminar os sistemas estabelecidos, fortalecendo as redes de resistência.

Entretanto, não necessariamente será exigido das pessoas que se sintam obrigadas a ter de participar de todos os módulos e de todos os processos e de todos os exercícios e tarefas.

Cada um da o que pode dar, da o que quer e deseja dar. Todos temos limites. E se damos é porque aceitamos dar além destes limites até o tempo em que resistirmos em continuar nesta doação.

Se ela se transforma, se ela se arrefece, se ela nos queima e incendeia com paixão para que continuemos, tudo isso, apenas o tempo, este senhor, é quem nos poderá dizer a todos nós o que seremos em segundos.

Nada aqui será exigido de ninguém, somos livres, assim o sejamos.

Este é o princípio da arte, embora sob a lógica estrutural acadêmica há que cumprir as cargas horárias mínimas estabelecidas para a obtenção da certificação pela UFPa (setenta e cinco por cento de frequência em cada um dos módulos/sessões (de estudos e de filmes e de cursos). É o rito acadêmico.




Serão, portanto, nove meses, nada mais que o tempo de uma gestação - para que (re-) nasça este "rebento", pelas mãos daqueles que como nós, acreditam no potencial da arte para "cuidar" e mudar o mundo, seus habitantes, seus espaços, suas fronteiras.




É um desafio cuidar de uma criança, crescer com ela no interior de um útero coletivo. Mas nós cuidaremos juntos deste Festival, como já estamos a fazer, como nossos amigos e instituições parceiras, que cerraram fileiras com a Tribuna do Salgado, nosso Jornal, a construir este sonho possível, entre as quais, na primeira versão:

• Universidade Federal do Pará –Campus Bragança

• Prefeitura Municipal de Bragança

• Academia de Letras do Brasil – Seccional Bragança

• Projeto Aluno Repórter – Bragança – NTE/SEDUC - Pará

E para este novo ciclo de 2015, somam-se ainda:

• Programa ‪#‎TÔNAREDE‬ / Fundação Educadora de Comunicação de Bragança

• Casa de África-Brasil

• Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPa

• Universidade Federal do Pará –Campus Cametá

• Instituto Federal de Tecnologia – IFPa-Bragança

• Instituto Saber Ser Amazônia Ribeirinha – ISSAR

• Federação Paraense de Cineclubes - PARACINE

• Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde

• Câmara da Ribeira Grande de Santiago - Cidade Velha, Cabo Verde





Ancorados nestas novas composições de redes, neste ano de 2015, o FICCA apresenta diversas ações inovadoras que envolvem comunidades amazônidas, africanas e lusíadas, sinergias comuns à arte e à cultura. Nesse sentido, estão programadas as seguintes atividades:

i. FICCA-Cine – Atelier de Artes e Práticas Audiovisuais (Bragança, de Abril a Dezembro de 2015)

ii. FICCA-Festival (Bragança, de 8 a 11 de Dezembro de 2015)

iii. Colóquio de Afro-Luso-Brasileiro de Arte e Ciência (Bragança, 10 e 11 de dezembro de 2015)

iv. FICCA-EtnoFilmes 2015 (Cametá, Setembro 2015)

v. Quilombos e “Rabelados”, a arte da resistência afro-brasileira (Brasil e Cabo Verde - 2015/2016)

vi. Cidade Velha ‪#‎EtnoFilmes‬ 2015 (Cabo Verde - Outubro 2015)

vii. Academia de Letras do Brasil - Seccional Cabo Verde (Cabo Verde - até 2016)






Repito: dá-se início nesta quarta-feira, primeiro de abril, aqui em Bragança a primeira etapa do II Festival Internacional do Cinema do Caeté.

E repito para não esquecer, apesar de que hoje é o dia da mentira e todos sabemos que uma mentira repetida muitas vezes, ela se torna verdade.

E a arte, como o cinema, é uma grande mentira. Construída a partir de pessoas e coisas, de pessoas que não são coisas.

Para que a arte se torne verdade, nós temos que acreditar nela.

Para que nossos sonhos sejam realidades, temos que acreditar neles.

Para que não sejamos coisas, temos que acreditar nas pessoas.

E o FICCA é feito de crenças de pessoas que acreditam em pessoas.

Acreditam na solidariedade e na harmonia entre as pessoas, que são diferentes entre si, que tem concepções diversas, e que acima de tudo estabelecem reações sociais e de afeto mútuo com base em respeitos e sentimentos democraticamente humanos.





Em 2014, o #FICCA projetou cerca de 50 filmes, premiou dez categorias, recebeu obras de Cabo Verde, Portugal, Guiné e França.

Do Brasil, vieram filmes dos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão.

E Roraima, Amazonas, Amapá e Pará foram os estados amazônidas presentes.

O Município de Bragança sediou este certame, que entra para a História do Cinema e do Cineclubismo como um projeto de natureza colaborativa e de reduzidíssimo orçamento, mas com uma grandeza ética e de conteúdos artísticos e políticos acima da média do mercado.

Afinal, há muitos eventos grandiosos e com financiamentos institucionais e mediáticos direcionados ao mercado e à consequente correria da sociedade de consumo em busca de bens que não os de natureza espiritual e artística.

Este é o nosso pequeno e pobre projeto o qual apresentamos apenas aos ricos de espírito.



Aqui estão delineados os principais conceitos que o atravessam.

Nossa ação é sintética e de pequeno formato. Programamos sessões mensais às quartas, antecedidas, nas segundas-feiras de grupos de estudos focados no cinema documental, com objetivo de ver e se sensibilizar com as poéticas antropológicas e documentais de realizadores brasileiros.

Que eles nos inspirem a fazer filmes em que a nossa realidade seja o tema e a voz de nosso povo seja ouvida e compreendida e que a paisagem fale de sua alma e de sua beleza tanto quanto de sua dor.

Priorizaremos a produção e realização de filmes documentários curta-metragens sobre e sob as nossas próprias naturezas, reinventadas pela via do cinema e da vivência em processos e projetos artísticos.

Interessa-nos a experiência, mais que resultados, neste percurso, se ele se pretende e se se quer um percurso que não seja em linha reta, mas sob os solavancos da História e imerso e submerso á dinâmica de um mundo aberto e descentralizado, em que todos sejamos senhores e jamais escravos.

Bragança, 1 de Abril de 2015

© Francisco Weyl

Idealizador e Coordenador do #FICCA

Diretor e Editor do Jornal ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬


(Texto de abertura da 1ª etapa do II FICCA -

Por © Carpinteiro de Poesia)
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