#OPINIÃO > “Mais democracia, menos hipocrisia”

(Por Francisco Weyl) 
Há cerca de uma semana da fatídica data que marca o início do pior período da História do Brasil (o golpe militar) e em meio a onda de protestos generalizados que varre o país contra os escândalos de corrupção que envolvem os diversos governos e partidos, o Jornal Tribuna do Salgado afirma seu compromisso com a defesa da democracia e da liberdade de expressão e de opinião.
O nosso compromisso é com o leitor, com a notícia e com a democrática prática do embate civilizado entre ideias e do convívio amistoso com as diferenças, pelo que compreendemos que tanto a mídia quanto os fóruns e as instituições políticas têm a obrigação de respeitar os sentimentos dos cidadãos e das comunidades, que afinal também lhes pagam as contas e estão de olhos bem abertos aos mais diversos tipos de interesses que pautam as ações políticas.
Nós entendemos que por princípio qualquer veículo de comunicação, se ele se propõe sério, ele tem a responsabilidade de apurar aos fatos que veicula, sem abrir espaços para virtuais “anônimos”, textos apócrifos e denúncias sem provas. A imprensa, quase toda ela, está atrelada a jogos de interesses econômicos.
Mas, a mídia, que em geral prefere boatos aos fatos, silencia diante de ações de interesse público, fala ou cala, de acordo com o movimento do caixa (banca quem paga a notícia). Projetos concretos são ofuscados por discursos sem provas, é bom observar porque os focos se projetam para um e não para outro campo: desconfiamos dos fatos, logo investigamos.
Em política, desde cedo aprendemos que é fundamental o equilíbrio entre os poderes executivo, legislativo e judiciário para o bom funcionamento das instituições. Mas a nossa experiência também nos ensinou que apenas com a participação popular as conquistas são alcançadas mais facilmente.
A democracia exige que sejamos abertos, plurais, sob pena de jogarmos por terra as lutas que travamos ao longo destes anos, em defesa da liberdade de expressão, contra a ditadura, pela constituinte e por eleições diretas. É dentro desta dimensão que compreendemos e defendemos os direitos humanos.


Compreendemos que as manifestações políticas de rua trouxeram à vida gente que nem sabe o que é que se passa no país, gente que ainda se deixa manipular por forças reacionárias, que difundem a cultura do pânico e da violência, da hipocrisia e da leviandade. Vivemos um momento histórico com a falência de partidos, de instituições e das formas de fazer política, a juventude e a sociedade, indignadas, estão fartas da hipocrisia de quem usa lutas coletivas em benefícios individuais, que tramam golpes militares, patrocinam guerras, espionagem, desestabilizam governos, fragilizam economias, artificializam informações, patrocinam campanhas mediáticas contra defensores de direitos humanos, criminalizam movimentos sociais.
Algumas das regras básicas de uma democracia política fundamentada na ética solidária humana são a de respeitar os direitos às manifestações das mais diferentes formas que cada indivíduo tem de ser, opinar, pensar e agir. Esta é uma de nossas crenças. Nós acreditamos na consciência e na radicalidade das contradições, as sociedades tem a obrigação de se enxergar e de se respeitar - entre si, e a si mesmas. Se os espelhos estão invertidos, quebremo-los. Queremos ver o que se esconde por detrás das aparências.
Francisco Weyl (Diretor/Editor#TRIBUNADOSALGADO)
FOTO © #LUCIVALDOSENA (Durante as Jornadas de Junho de 2013, em Ato Contra a Rede Globo)
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