#PLATEAU - Encerra esta tarde o Festival da Praia


Foram dez dias de cinema numa cidade que nem cinema tinha. Coisa de doido. Assim falavam ao Júlio Silvão quando ele teimava em fazer cinema na Praia; E com ele outros tantos, ainda mais teimosos. 
O país sem dotação orçamentária para o setor e na contramão pessoas como (eu, claro, podem me bater porque eu vou esquecer) Tambla Almeida, Paulo Cabral, Mário Benvindo, César Schofieldi, João Paradela, Guenny Pires, Mário Almeida, só para citar aqueles que - como disse - recordo-me neste instante.
Apenas para ficarmos nesta geração, mais recente, desde a década de 2000 para os nossos dias, portanto, o século XXI.
Esta cultura que se faz com nomes e anônimos, gentes de crença num processo harmônico que atravessa fronteiras e cura todas as dores do mundo, 
Mas a cultura tem datas enquanto a arte nem tempo tem.

- A projeção do filme “Eden” (Daniel Blaufuks) no final desta tarde (30/11) marca o encerramento do 1ª Edição de PLATEAU - Festival Internacional de Cinema da Praia.
Após a sessão, o diretor do Festival, Ivan Santos, anuncia os vencedores do certame que começou dia 21/11, com a exibição do filme “Alma Ta Fika” (João Sodré).
Há várias questões a destacar a título de análise, avaliação.
A primeira delas é uma saudação especial aos organizadores e coordenadores e colaboradores, que compuseram a equipe do Plateau.
Com apoio do Pelouro da Cultura e da Câmara Municipal da Praia e ainda do próprio Ministério da Cultura, o Plateau escreve desde já o seu nome na história dos Festivais internacionais.




Mas, mais que um simples evento que envolve recursos públicos, o Festival Plateau quer ser uma plataforma e uma rede, contínua, que forme e divulgue o cinema, resgatando o gosto por este arte entre os cabo-verdianos.
O Festival devolveu um cinema a Cabo Verde, o Cine-Praia, ou seja, resgatou um espaço e com ele, toda uma cultura que estava fora do circuito da Praia.
E para, além disso, fez parcerias com escolas, trazendo crianças para sessões especiais vespertinas.
O presidente da Câmara, Ulisses Silva, afirmou que resistiu a vários assédios, inclusive, financeiramente tentadores, para dar outro uso, outro fim, ao espaço onde funciona o prédio do Cine-Praia.
E como se não bastasse a aposta num novo público dentro de uma antiga sala que estava fechada, o Plateau – Festival, ainda foi aos bairros, em sessões abertas para pessoas que ficam mais distantes das zonas centrais.
Estas frentes por si só revelam a diferença deste Festival.
Estas ações mostram as verdadeiras preocupações com as questões sociais e pedagógicas.
São ações que fazem com que o Festival tenha continuidade e não se esgote em sessões competitivas e extraoficiais.
Elas dão a dimensão exata do que se quer com a arte cinematográfica em Cabo Verde, que, aliás, não tem fontes diretas de financiamento, pelo que os realizadores não economizam esforços e nem criatividade para superar as dificuldades financeiras.
E foram bravos estes realizadores.
Foram 12 filmes cabo-verdianos inscritos no Plateau.
E aqui é outro destaque deste Festival, a sua aposta na produção local, e ao mesmo tempo a aposta na africanidade dos temas, da atualidade continental do cinema negro.



Observemos um panorama quantitativo do Festival:

#PLATEAU > Indicadores
83 > Filmes participantes
26 > Filmes em competição
57 > Filmes fora de competição
12 > Filmes nacionais (Cabo Verde)
29 > Filmes portugueses
21 > Filmes brasileiros
5 >  Filmes sobre Cabo Verde (Origem: Portugal)
> REPRESENTADOS
CONTINENTES > África, Europa, América, Ásia
CPLP > ( - ) menos Timor e Guiné-Equatorial
PALOP > + Presentes TODOS os Países 

Estas vertentes destE Festival marcam o campo do novo cinema, coletivo.
Posso dizer – para finalizar – que este Festival espelha o próprio país que o sediou, um país que depende de parceiros estrangeiros e dos recursos que lhe são enviados pelos seus filhos que habitam a Diáspora.
Um país em permanente rede de solidariedade e de esperanças e de sonhos.
O desafio de todos nós que fazemos parte desta história agora é manter aceso o fogo desta #REDEPLATEAU
Os desafios foram lançados e respondidos no próprio Fórum Plateau, que reuniu dezenas de jovens realizadores e pessoas articuladas à cultura cabo-verdiana a e que habitam a cidade da Praia na tarde de quinta (27/11).
O Fórum apontou estratégias via um #Documento que será divulgado à sociedade e pactuado com os gestores de instituições públicas e privadas, articuladas ou não à cultura e ao cinema.
O encontro tem dimensão política por conter as falas e as demandas de realizadores e produtores de audiovisual cabo-verdiano.
E do mesmo modo, para além das questões locais, o Documento contém referências à possíveis articulações continentais de Cabo Verde com África e com o restante do mundo, a partir de Cabo Verde.
É Cabo Verde se aproveitando de sua privilegiada posição geográfica, entre diversos continentes e ao mesmo tempo afirmando a sua diversidade, aberto ao mundo, mas resgatando a história e a arte de seu povo.
E no que depender de nossa disponibilidade e de nosso afeto e de nossa paixão, o Festival Internacional de Cinema do CAETÉ – FICCA; o Jornal #TRIBUNADOSALGADO; e o Cineclube Amazonas Douro, estamos ao dispor para compor redes colaborativas.
Parabéns, Cabo Verde.
Obrigado.


Obrigado.

 © Texto publicado por Francisco Weyl no #DOÁRIOCABOVERDE
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