Bragança terá Internet de qualidade



Há vários tipos de exclusão social, sendo o analfabetismo a maior delas. Aqui em Bragança, a população analfabeta com 15 anos ou mais de idade chega a 11.644 pessoas, num percentual de 21,39% para uma população estimada em cerca de 100 mil habitantes (IBGE/2010). Mas há ainda o analfabetismo moderno que se refere ao acesso às novas tecnologias. Para se ter uma ideia, 65 entre 100 brasileiros desconhecem a Internet. E estima-se que apenas cerca de 7% dos cidadãos amazônidas tem acesso a rede mundial de computadores. Isso nos obriga a refletir e pensar estratégias eficientes de se comunicar com a sociedade.



Este cenário pode assustar mas ao mesmo tempo ele é um desafio aos gestores. É o que pensa o secretario municipal de administração, José Osvaldo Rufino Pereira, anos (foto), que pretende dinamizar a gestão a partir uma perspectiva humanista, inclusiva e transparente, que seja eficiente na sua forma de comunicar e prestar serviços, seja pelo próprio funcionário - ao cidadão, seja pelo site disponibilizado pela prefeitura na Internet.

Diante do fato de que algumas secretarias que trabalham cada uma por si, como se fossem subprefeituras, a secretaria de administração procura puxar as rédeas deste processo, centralizando-o, para evitar que o governo se fragilize e também para dar maior visibilidade ás ações da gestão como um todo. E esta centralização de serviços pode ser realizada a partir de um governança eletrônica, através da qual os gestores se comuniquem entre si e com os cidadãos.

Entretanto, a primeira dificuldade encontrada para atingir esta meta é a falta de uma Internet de suporte, que assegure a transmissão de dados e a modernização dos sistemas. Rufino diz que até mesmo as informações que chegam ao gestor são maquiadas e que, com a centralização, tanto o prefeito, quanto os seus secretários, terão informações ao alcance e que podem e devem ser disponibilizadas a comunidade.

Ele também critica a cultura administrativa herdada da gestão anterior, segundo ele, voltada à simplificação da operacionalização. Cada gestor fazia um sistema próprio de informação, o que significa dizer que há dificuldades para localizar as informações dos anos anteriores: “Estamos centralizando o patrimônio porque não existia um controle efetivo de tudo, a maneira de se adquirir equipamentos e materiais era superficial, cada um comprava e controlava, mas não tinha a informação geral fechada, não havia lacre, tombamento, mas nós ainda estamos trabalhando nisso, porque, muitas vezes, a gente desce ao arquivo para buscar documentos e descobre que parte deles está deteriorado e outra parte, perdida”, desabafa.

Mas os tempos mudaram, garante o secretário. Graças a um contrato que firmou com a PRODEPA, que vai levar (por rádio) de Santa Maria para Bragança a prefeitura municipal– via NavegaPará – vai aumentar a sua capacidade de transmissão de dados (entre 40 até 150 megas), e, ao mesmo tempo, evitar o desperdício de dinheiro público. Ao valor de R$ 12 mil reais ao mês, a gestão vai economizar cerca de R$ 180 mil por ano (os gastos com internet atualmente beiram os R$30 mil). Bragança gastava recursos, portanto, para obter diversos sistemas incompatíveis que constantemente entravam em conflito e que em nada ajudavam na centralização da gestão.

“Estamos implantando uma gestão municipal que integre todas as secretarias, e desenvolvendo uma rede social do servidor, para superar estes gargalos que nós temos de comunicação entre os diversos setores, para que as secretarias possam se comunicar com mais agilidade, em web-conferencias e web-reuniões”, garante o secretário.

O Departamento de Tecnologia da Informação da SEMAD, Carlos Gomes, afirma que a gestão tem que estar interligada a uma qualidade de comunicação boa, para videomonitoramentos e geoprocessamentos: “Se a gente não ter esta visão geral, não poderemos faze ruma boa gestão, com informações cruzadas e articuladas entre si, via Plano Nacional de Banca Larga, porque a prefeitura vai trazer uma internet de qualidade, que é o que o município que precisa”, diz.

Com a centralização da gestão eletrônica e a mudança nos sistemas, diversos serviços poderão ser acessados pelo servidor e pelo cidadão, desde a emissão de contracheques, Cédula C, empréstimos, além do próprio protocolo eletrônico, que permite que o cidadão acompanhe de perto o andamento de sua demanda. O processo de renovação do Banco de Dados e de interligação das secretarias começou pela própria SEMAD, mais exatamente na Folha de Pagamentos da Prefeitura, mas a Secretaria de Educação também aderiu, com a importação de dados do sistema escolar. Rufino acredita que este processo vai crescer e chegar a Semusb, Semagri, e a gestão poderá falar entre si, cruzando seus dados e garantindo a governança eletrônica.


TEXTO © TRIBUNA DO SALGADO / FOTO © DRI TRINDADE
Tecnologia do Blogger.