Bragança paraense ganha Rafael de aniversário

Há tempos sem vir ao município do qual afirmar tanto gostar, o intérprete e compositor #RAFAELLIMA avisa pelo telefone que abre o show da Luê Soares.

O show acontece esta noite no Largo de São Benedito, em homenagem aos 401 anos de Bragança, motivo pelo qual hoje o município feriou. 

Rafael disse que o convite foi feito em cima da hora e que por isso mesmo o nome dele não consta do cartaz. 

Originário de uma geração que procurou o novo, fora do mercado rio-sampa-belô, Rafael é contemporâneo e parceiro de Walter Freitas e João Gomes, donos de um estilo próprio que marca o diferencial dos falares e cantares amazônidas.

Leitor de Dalcídio Jurandir, Rafael criou (em 1993) a opereta “Reinavam com o Castiçal” (na foto, ao lado da filha e cantora Jussara). 




"Reinavam..." é um diálogo de 13 páginas entre as personagens dalcidianas “Alfredo” e “Mundica” da obra “Primeira Manhã” e que trouxe ainda composições autorais inspiradas nos livros de “Chão dos lobos” (1976) e “Chove nos campos de Cachoeira” (1941), também de Dalcídio.

Com cinco Cds gravados e lançados fora do país, Rafael Lima tem fez diversos shows locais e turnês regionais e nacionais, tendo ainda participado do projeto Pixinguinha (1984); Bienal do Livro de Paulo (1986); e Fórum Social Mundial (2003), além de produzir o CD "Zarabatana" (2005) e o show "Música no Pulmão da Terra" (2007) do irmão Macário Lima.

Sempre acompanhado de músicos de estirpe como Mini-Paulo, Príamo Brandão, Delcey, Rato, Marcos Puff, Zé Macedo, entre outros feras da música paraense, Rafael construiu uma carreira entre Belém e diversos festivais internacionais de jazz, como o de Montreux (Suiça, 1994).

Dono de uma voz potente, Rafael é do tipo de artista controverso que assume as suas convicções políticas, razão pela qual sempre foi ostracizado, mantendo-se longe das programações culturais institucionais e empresariais das terras paraoaras.

Mas este ano voltou à ribalta e até entrou no seleto grupo do Terruá-Pará.

É, sem dúvida, um dos cantores mais importantes da Região.

Ouvi-lo e vê-lo esta noite será uma dádiva dos deuses.

Bragança merece!



© Francisco Weyl – Diretor/Editor da Tribuna do Salgado
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