TRIBUNA DO SALGADO


A Imprensa caracteriza-se mais por uma reprodução do que pela produção de notícias propriamente ditas. E estas notícias reproduzidas têm como fonte diversas agências internacionais, sendo que a maior parte delas é originária das agências.
Outra característica da Imprensa é a “oficialização” dos fatos, ou seja, a mera transmissão das notícias como dados adquiridos por serem os mesmos oriundos seja do Estado, seja de algumas instituições estatais e/ou empresas privadas de grande porte. Apesar de nenhum meio de comunicação poder se dar ao luxo de recusar o Estado como fonte, esta “oficialização” é prejudicial ao jornalismo e demasiado perigosa para a sociedade. Afinal, os fatos, quaisquer que sejam as suas fontes, devem ser investigados e não reproduzidos sem que sejam apurados.
Assim sendo, pode-se “acusar” o jornalista comum de não fazer jornalismo, porque a maioria dos fatos não são devidamente investigados. E mesmo os factos divulgados não recebem um tratamento adequado, sendo estes fatos muitas vezes divulgados de forma incorreta e/ou incompleta, sem o devido acompanhamento e repercussão que ele poderá vir a ter no espectro social.
Este “comodismo” tem as suas raízes nas perigosas relações que são articuladas entre os dirigentes de empresas jornalísticas e o Estado e/ou o grande partido opositor ao governo atual, bem como com outras instituições estatais e/ou empresas, o que, em última instância, quer dizer que o Jornalismo que se pratica nesta terra é no mínimo tendencioso.
Mas esta tendência tem que mudar a bem da democracia e da inteligência desta Nação, afinal de contas, o povo está para além dos governos e dos partidos.
© Francisco Weyl - Diretor Executivo


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